segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Silvio Santos faz mistério sobre novo apresentador do 'Topa ou Não Topa'

Silvio SantosSilvio Santos está fazendo mistério sobre quem vai apresentar a nova versão do "Topa ou Não Topa" no SBT.

Segundo o colunista Flávio Ricco, ninguém sabe ao certo quem ficará com o programa, que estreia no segundo semestre, possivelmente em agosto.

No entanto, segundo o site Notícias da TV, o apresentador pretende entregar o programa

a uma de suas filhas.

A dúvida de Silvio é se essa atração vai para as mãos de Patrícia Abravanel, que está de licença maternidade até março/abril desse ano, ou a Rebeca Abravanel, sua outra filha que ele tenta emplacar como apresentadora.

Caso Silvio decida dar o formato - que já foi produzido pelo SBT entre 2006 e 2009 e que voltou em 2010 sob o comando de Roberto Justus - para Patrícia, o programa deverá ser exibido aos domingos após 'Eliana' e antes do 'Programa Silvio Santos'.

Agora se Rebeca ficar com a atração, Silvio Santos deve colocar o game show às quartas-feiras no lugar do 'Roda a Roda'.

No formato original da Endemol - que se chama 'Deal or No Deal'- o participante arrisca a sorte optando por maletas que escondem valores que variam de 50 centavos a R$ 1 milhão.

INVESTIGAÇÃO Delação envolve Marinho em caixa 2 a deputado do PT

Delação envolve Marinho em caixa 2 a deputado do PTEx-executivos da Odebrecht envolveram, em delação premiada, o ex-prefeito de São Bernardo e presidente do diretório do PT em São Paulo, Luiz Marinho, em um repasse de R$ 300 mil para o 3.º Secretário da Assembleia Legislativa do Estado, Luiz Fernando Teixeira Ferreira (PT), na eleição de 2014. De acordo com os delatores, o montante foi repassado via caixa 2.

Um dos petistas mais próximos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marinho é pré-candidato do partido ao governo de São Paulo na disputa deste ano. O deputado estadual é irmão do deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP).

O ex-diretor superintendente da Odebrecht Infraestrutura, responsável pela região Sul e o Estado de São Paulo, Luiz Antonio Bueno Junior, relatou na delação ter recebido uma visita de Teixeira Ferreira após indicação de Marinho, então prefeito de São Bernardo do Campo.


"Marinho tinha um protagonismo bastante grande na região do ABC Paulista. Eu tinha como foco, quando assumi a área, em atuar em dois setores específicos no interior de São Paulo: a região da baixada santista e a região do ABCD. Então, um pedido de Marinho sempre teria de ser levado em consideração. O Luiz esteve comigo em meu escritório e me fez a solicitação", afirmou.

À Procuradoria-Geral da República, Bueno Júnior disse ainda ter acertado doações de R$ 300 mil via caixa 2 e R$ 251 mil registrados no Tribunal Superior Eleitoral. "O Luiz Fernando pediu que fizéssemos R$ 251 mil oficiais de sorte que ele pudesse localizar no partido."

Outro delator que integra o pedido para investigar Marinho é Alexandrino de Alencar, que foi diretor de Relações Institucionais da empreiteira. Segundo ele, a Odebrecht tinha "interesses expressivos" na região do ABC Paulista, "principalmente em mobilidade urbana". O delator disse que fez a doação a Teixeira Ferreira pela "proximidade que tinha com Marinho".

Contrapartida

Questionado pelos procuradores, ele confirmou que o deputado estadual petista prometeu contrapartidas. "Ele se comprometeu a ajudar. Foi bem explícito." O delator ainda foi inquirido a responder se, depois do suposto acerto, teria sido ajudado em contratos na região de São Bernardo. "Ele tentou ajudar. Sem dúvida nenhuma", afirmou Alencar. Ele, no entanto, disse que a suposta "ajuda" não teria sido eficaz. "Eles (pleitos da Odebrecht) caminhavam, estavam caminhando dentro da burocracia dentro da prefeitura, mas, que eu saiba, não teve sucesso."

Outro delator que embasa pedido de investigação contra o deputado estadual é Benedicto Barbosa da Silva Júnior, que confirmou ter aprovado uma série de pagamentos a políticos requeridos por outros executivos da empreiteira. Ele afirma não ter feito parte de supostas tratativas.

Bueno Júnior entregou à PGR planilhas de repasses do departamento de propinas da Odebrecht. O valor de R$ 300 mil aparece ao lado do codinome "Lamborguiny" - que seria referência a Teixeira Ferreira. A senha combinada para a retirada do dinheiro era "empada".

Um comprovante de pagamento ao diretório estadual paulista do PT datado do dia 8 de setembro de 2014 no valor de R$ 251 mil também consta no anexo da delação do executivo. O repasse, segundo o documento, foi feito pela Agro Energia Santa Luzia S/A.

Alexandrino Alencar também afirmou à PGR que fez um repasse de R$ 550 mil à campanha de Luiz Marinho à prefeitura de São Bernardo, em 2012. Segundo o delator, outros R$ 50 mil teriam sido doados por via oficial.

A íntegra desses depoimentos foi tornada pública em 14 de agosto do ano passado, por decisão do ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Inicialmente, as revelações dos executivos da empreiteira tiveram o sigilo levantado por Fachin em abril de 2017. No entanto, àquela época, foi prorrogado o segredo sobre colaborações que envolvessem acordos de cooperação internacional (mais informações nesta página).

Bueno Júnior deu informações relevantes a acordos de cooperação internacional entre a PGR e autoridades de países em que a Odebrecht é alvo de investigação. Em agosto de 2017, o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, requereu a Fachin que levantasse o sigilo das delações a respeito do petista sob o argumento de que as declarações dos executivos não tinham relação com crimes cometidos fora do País.

Defesa

Procurada, a assessoria do presidente do diretório do PT de São Paulo, Luiz Marinho, afirmou que ele "nunca autorizou nenhuma pessoa a falar em seu nome sobre esse ou qualquer outro assunto". O ex-prefeito, por meio de nota, também já negou o recebimento de caixa 2 da Odebrecht na campanha de 2012. Disse que todos os valores recebidos por ele em suas campanhas "constam das prestações de contas, todas devidamente aprovadas pela Justiça Eleitoral".

O deputado estadual Luiz Fernando Teixeira Ferreira (PT) disse que recebeu "com indignação" a informação sobre a citação a seu nome na delação da Odebrecht. "Como ainda não tive acesso ao conteúdo, reitero que todas as doações da minha campanha foram legais, ocorrendo de acordo com a legislação eleitoral. Nunca solicitei recursos ilegais para financiar a minha campanha."

Ele afirmou ainda que nunca se envolveu "em contratos da administração Luiz Marinho". "Jamais defendi projetos ou interesses que não fossem dos trabalhadores. Além disso, Marinho nenhuma vez interviu em meu nome."

Conforme Teixeira Ferreira, sua prestação de contas foi aprovada pelo Tribunal Regional Eleitoral. "Recebi da referida empresa dois valores, 25 mil e 50 mil, totalizando 75 mil e, absolutamente nenhum centavo em caixa dois, como alegado", afirmou. "Sempre pautei minha atuação política de forma idônea, com ética, transparência e lutando, sobretudo, contra a corrupção."

Em nota a Odebrecht informou que está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. "Já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um acordo de leniência com as autoridades do Brasil, Estados Unidos, Suíça, República Dominicana, Equador, Panamá e Guatemala, e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Agência Estado

POLÊMICA Em gravação de 2014, Cristiane Brasil ameaça servidores

Em gravação de 2014, Cristiane Brasil ameaça servidores
A deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), que tenta há um mês ser confirmada como titular do Ministério do Trabalho, foi flagrada ameaçando servidores públicos para conseguir votos na sua campanha à Câmara dos Deputados, em 2014.

O programa Fantástico, da TV Globo, teve acesso ao áudio de uma reunião convocada pela parlamentar, em 2014. Na época, Cristiane era vereadora licenciada e ocupava a Secretaria Especial do Envelhecimento Saudável e da Qualidade de Vida na gestão Eduardo Paes (MDB) na capital fluminense. Ao mesmo tempo, tentava se eleger deputada federal pelo PTB.

Para o encontro, cerca de 50 servidores públicos e prestadores de serviço da pasta foram chamados. Na gravação, Cristiane cobra empenho da equipe para conseguir votos e diz que o emprego deles depende de sua vitória eleitoral. "Se eu perder a eleição de deputada federal - eu preciso de 70 mil votos -, no dia seguinte, eu perco a Secretaria. No outro dia, vocês perdem o emprego", afirma, na conversa obtida pela Globo.


Cristiane prossegue na tentativa de convencer os servidores a buscar votos para ela, segundo a gravação: "Se cada um no âmbito familiar me trouxer 30 fidelizados.. Pô, tu é minha mãe, se tu não votar nela, eu perco o emprego. Olha que poder de convencimento essa frase tem. Para o marido: meu querido, vai querer comprar minhas calcinhas? Então me ajude".

A assessoria de Cristiane afirmou à TV que a deputada desconhece o conteúdo da gravação e não sabe em qual circunstância foi realizada. A deputada alegou que "jamais infringiu qualquer norma ética ou jurídica relacionada às eleições". Segundo o Fantástico, ela se recusou a ouvir o áudio durante as três semanas de apuração da reportagem.
Agência Estado

MADRUGADA DE DOMINGO Motorista de Uber é morto durante corrida em Londrina


Tenente CastroUm motorista de Uber foi morto a facadas durante corrida na madrugada deste domingo (4), na Avenida Duque de Caxias, centro de Londrina. Vanderlei Teixeira da Silva, 34 anos, transportava passageiros desconhecidos por volta das 5h. As informações foram confirmadas pela Polícia Militar (PM).

Socorristas do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados e realizaram atendimento. No entanto, Vanderlei não resistiu aos ferimentos e morreu dentro da ambulância. Foram várias facadas, sendo duas na cabeça. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) de Londrina.

Conforme o tenente Emerson Castro Presley, porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar, uma testemunha disse ter visto o motorista discutindo com dois homens, mas viu apenas um deles fugindo do local. Denúncias podem ser feitas pelo Disk Denúncia para 181 ou 197. A Polícia Civil investiga o caso.

Em resposta à reportagem, por volta das 12h30, a Uber enviou um posicionamento oficial sobre o ocorrido:

"Estamos profundamente entristecidos em saber que o motorista parceiro Vanderlei Teixeira Da Silva foi vítima desse crime terrível. Compartilhamos nossos sentimentos de mais profundo pesar com sua família nesse momento de dor. A Uber vai se colocar à disposição para colaborar com as investigações, na forma da lei, e espera que as autoridades tragam o responsável à justiça o mais rapidamente possível."

(Atualizada às 12h30)
Fernanda Circhia - Redação Bonde

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

NESTA QUARTA Boca Aberta terá de usar tornozeleira eletrônica por descumprimento de medida

Boca Aberta terá de usar tornozeleira eletrônica por descumprimento de medidaO juiz da 5ª Vara Criminal de Londrina, Paulo César Roldão, ordenou nesta quarta-feira (31) que o ex-vereador Emerson Petriv, o Boca Aberta, use tornozeleira eletrônica por ter descumprido a medida de distanciamento de 500 metros de Mário Takahashi (PV) e Rony Alves (PTB). Segundo o despacho, a desobediência aconteceu quando o ex-parlamentar foi até o Centro de Reintegração Social (Creslon) acompanhar a instalação do monitoramento nos dois vereadores, que estão entre os investigados na Operação ZR-3, do Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que apura possíveis pagamentos indevidos a agentes públicos para mudanças de zoneamento em Londrina.

A ação foi impetrada pelos advogados Tiago Mota Romero e Marcos Prochet. Conforme o juiz, Boca Aberta "proferiu palavras ofensivas" a Alves e Takahashi, afastados por 180 dias das funções legislativas por determinação do juiz da 2ª Vara Criminal, Delcio Miranda da Rocha, responsável pela ZR-3.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

POSSÍVEL REFORMA Reforma dispara aposentadoria por tempo de contribuição

Camila Domingues/ Palácio Piratini
Em meio às discussões sobre a reforma da Previdência, disparou o número de pedidos de aposentadoria por tempo de contribuição. Esses pedidos cresceram 5,5% no ano passado, enquanto as aposentadorias por idade, que exigem no mínimo 65 anos para homens e 60 anos para mulheres, subiram 3,7%. Em 2014, o ritmo de crescimento das duas categorias era praticamente igual.

Para se aposentar por tempo de contribuição no Brasil não é necessário cumprir uma idade mínima, algo raro em todo o mundo. Acabar com esse tipo de aposentadoria é um dos pilares da reforma da Previdência que está em tramitação no Congresso, embora a votação esteja passando por sucessivos adiamentos.
Essa modalidade de benefício é considerada pelo governo um dos privilégios concedidos pelas regras atuais porque permite que pessoas mais novas e em geral com maiores salários solicitem a aposentadoria cedo e com valor médio de benefício mais elevado, onerando as contas previdenciárias, que tiveram o rombo recorde de R$ 268,8 bilhões no ano passado. 

Quem se aposenta por tempo de contribuição (de 35 anos para homens e 30 para mulheres) tem, em média, 54,9 anos e recebe quase R$ 2 mil por mês. Já quem se aposenta por idade tem, na média, 60,9 anos e recebe R$ 950. Os dados da idade média são de 2016. Apesar de serem menos numerosos (6 milhões de pessoas), os aposentados por tempo de contribuição custam mais para a Previdência que os 10,5 milhões de aposentados por idade. Em dezembro, o primeiro grupo recebeu R$ 11,8 bilhões, enquanto o segundo custou R$ 9,95 bilhões. 

A avaliação de especialistas é que o crescimento dos pedidos de aposentadoria por tempo de contribuição tem se dado porque, além da maior formalização do mercado de trabalho (um fator positivo, que eleva o número de pessoas que chegam aos 30 ou 35 anos de contribuição necessários), há o medo da aprovação da reforma, que eliminaria a possibilidade desse tipo de aposentadoria, e um avanço nos pedidos antes represados por conta do fator previdenciário - uma regra estabelecida no governo Fernando Henrique que punia com uma redução no benefício quem quisesse se aposentar muito cedo. 

No fim de 2015, o Congresso aprovou uma regra de cálculo mais benéfica, que é conhecida como 85/95. Ela permite que os segurados obtenham o direito a receber 100% do salário como aposentadoria (respeitado o teto do INSS, de R$ 5.645,80) desde que o tempo de contribuição mais a idade some 85 anos (mulheres) e 95 anos (homens), e respeitado o tempo mínimo de contribuição de 35 anos para homens e 30 para mulheres. 

"Sem dúvida é um alerta para as contas da Previdência e também sobre o 85/95. Se não aprovar a reforma, teríamos de no mínimo mudar a regra de cálculo do benefício por tempo de contribuição", diz o ex-secretário de Políticas de Previdência Social, Leonardo Rolim, hoje consultor de Orçamento na Câmara dos Deputados. 

O consultor do Senado Pedro Nery, especialista em Previdência, lembra que o 85/95 deixou a Previdência ainda mais desequilibrada. "O valor médio dos benefícios é maior e eles duram mais tempo, porque a idade mínima na concessão é menor e a sobrevida tende a ser maior", observa. Pelos dados do IBGE, quem tem 54,9 anos tende a viver mais 26,2 anos. Já para quem tem 60,9 anos, a sobrevida média é de 21,5 anos. 

Exceção. Um dos principais argumentos do governo em defesa da reforma da Previdência é que o Brasil ainda é um dos poucos países a manter a possibilidade de aposentadoria por tempo de contribuição. Mesmo onde ela é possível, os técnicos dizem que a exigência costuma ser maior, como de 40 anos de contribuição no Equador. 

A aprovação da reforma da Previdência ainda enfrenta resistências no Congresso Nacional. Diante das dificuldades para convencer os parlamentares a apoiar a proposta, o relator, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), acenou na semana passada com a possibilidade de novas flexibilizações no texto. Ele fez questão de ressaltar, porém, que não abre mão da fixação da idade mínima. "O que trouxer voto, e que não traga alterações nos pontos essenciais, fim dos privilégios e idade mínima, podemos sim absorver como mudanças", disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Foto com rival no Facebook fez grupo matar jovem no Ceará, diz pai

Chacina em Fortaleza: Um pessoa foi achada morta dentro de um veículo estacionado no local da chacina no Bairro Cajazeiras, em FortalezaFORTALEZA - Os relatos sobre a violência praticada pela facção Guardiões do Estado (GDE), grupo suspeito de organizar a maior chacina já registrada em Fortaleza, já se multiplicavam mesmo antes de homens armados invadirem um forró e matarem 14 pessoas. Na tarde deste domingo, 28, o pedreiro Reginaldo Pereira de Oliveira, de 40 anos, contava porque seu filho foi morto pela facção, enquanto tratava da liberação do corpo de um primo, assassinado pouco depois da chacina. Ambos teriam sido mortos pelo GDE.

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“Meu filho postou uma foto no Facebook com um cara que era da outra facção. Foi só isso. Aí foram em casa e mataram ele”, conta o pai. O filho, Samuel Rodrigues da Costa, de 20 anos, foi executado em 15 de dezembro. “Falaram que tinham ido matar ele para roubar. Ele tinha juntado R$ 1 mil, e comprado camisetas. Queria multiplicar o dinheiro. Ele trabalhava em uma transportadora”, conta o pai. “Só depois soube dessa foto.”

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Pai e filho moravam em Maracanaú, periferia de Fortaleza. O pai conta que, de alguns anos para cá, as pessoas começaram a ouvir falar das facções. Muros começaram a ser pichados com a sigla GDE, e entre os moradores corriam boatos de que eles iriam “dominar tudo”.

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Samuel, que trabalhava, não tinha ligação com facções. Mas um de seus amigos, sim. Era identificado pelos vizinhos como integrante do Comando Vermelho (CV), a facção fluminense em disputa com o GDE cearense pelo domínio do tráfego na periferia da cidade.

“A coisa fugiu todo do controle. Logo, isso aqui vai virar uma guerra civil”, diz Oliveira. “A facção surgiu não tem muito tempo, não. E está crescendo de uma forma terrível. Tem homem feito, de 25, 30 anos, mas tem moleque de 12 anos”, conta.


Morte
O primo de Oliveira, Jefferson Silva Costa, foi assassinado no domingo, depois da chacina. Os familiares contam que oito homens entraram na casa e o executaram. Um irmão de Costa, que também estava no imóvel, fugiu por uma janela. O crime ocorreu à 1h30.

Medo
No cenário da chacina do sábado passado, onde as paredes têm pichações com as iniciais FDN e CV, moradores ainda estão assustados, embora o comércio tenha sido aberto nesta segunda-feira, 29. A creche do bairro, que atende 200 crianças, entretanto, não funcionou.

Na comunidade de Cajazeiras, local da chacina, circulam mensagens de WhatsApp de supostos integrantes do Comando Vermelho que estariam recrutando jovens do bairro para vingar as mortes, atribuídas à facção cearense Guardiões do Estado (GDE). Na noite desta segunda, um grupo fez barricadas de fogo para bloquear a BR-116, em protesto contra a chacina.

“Eles estão mandando mensagens recrutando a rapaziada para ‘vingar’ o ataque. Eles querem reunir gente para dar o revide”, disse um morador, que pediu para não se identificar. “Tem um vídeo, que é de uma mulher esfaqueada agonizando. Essa seria a mulher de um cara do GDE. Estão dizendo que o ataque foi para vingar a morte dessa mulher. Por isso que mataram tantas mulheres”, contou outro morador. “Agora, querem chamar gente para vingar as mortes”, disse outro.

Quem mora ali ainda está em choque. “Eu estava em casa. Ouvi todos os tiros, dentro de casa. Então, comecei a ouvir barulho de gente correndo no telhado de casa. Quebraram as telhas. Quando saí do quarto, tinha gente escondida no quintal de casa. Muita gente fugiu pulando os muros”, conta um comerciante de 30 anos que mora ao lado do Forró do Gago, local do massacre.

“Enquanto uns entraram no forró, outros ficaram nas duas esquinas (a rua do forró tem cerca de 150 metros), matando todo mundo que viam. Meu marido e meu filho estavam na festa. Saí de casa para achar eles e vi uma mulher morta na esquina. E vi que eles ainda estavam lá. Fiquei desesperada. Tinha gente entrando pela minha janela”, conta uma dona de casa.